quarta-feira, 28 de janeiro de 2009

A arte moderna e Win Wenders

A arte moderna

As características da modernidade na arte são expostas nos diversos movimentos com suas particularidades, específicas em cada expressão. Seria inviável, nesse trabalho, fazer um aprofundamento de cada uma dessas tendências. Optou-se então por uma abordagem mais ampla da estética moderna.
Em oposição aos padrões impostos pela elite cultural pré-modernista, a arte moderna é marcada pela divergência e pluralidade de manifestação artística, ocorrência pouco notada até o século XVIII. Até então, havia ainda convenções diante às produções estéticas, antes estabelecidas pela Igreja Católica, que, nesse período, foi substituída por outras instituições de diversos setores da sociedade. A subjetividade ganha força na modernidade em paralelo à transformação no modo de produzir, agora marcada pela autonomia do artista, a partir do século XIX.
Apesar do filme “Asas do desejo” do cineasta alemão, Wim Wenders, ter sido produzido em 1987, ele será aqui tratado como modernista devido às suas propriedades estéticas que se adéquam às peculiaridades da arte moderna.
As funções da linguagem, propostas por Roman Jakobson demonstram, através da metalingüística principalmente, os códigos de representação do artista moderno. Wenders, ao produzir o longa-metragem, utiliza como forma de expressão o monólogo. A maior parte do filme é composta pela enunciação de pensamentos dos homens comuns da Alemanha. Em analogia com a metalingüística, a mensagem empregada apóia-se à outra mensagem - a do pensamento melancólico da Berlim pós-guerra.
Outra característica da linguagem que o autor aborda é defendida por Octavio Paz na modernidade: ao criar um mundo, Wim Wenders, expressa, através da arte do cinema, o autoquestionamento. Ele exprime essa idéia de diversas formas: através do personagem principal, Damiel (Bruno Ganz), que questiona seu modo de existir o tempo inteiro, e pela exibição dos inúmeros pensamentos que evidenciam a reflexão.
A declaração feita por Artaud de que “a representação deve abrir um espaço para a irrupção do real”, não foi deduzida da mesma forma por todos os artistas da modernidade. Wenders consegue abordar esses ideais ao expor a realidade de uma Alemanha derrotada, e ao mesmo tempo, deixa de lado a verossimilhança ao tratar da existência de anjos capazes de transformarem-se em humanos.
O caráter modernista de “Asas do Desejo” é facilmente compreendido ao compará-lo com o longa-metragem “Cidade dos Anjos”, obra baseada no filme de Wenders. O aspecto hollywoodiano do romance americano se diferencia da estética proposta por Wenders por enfatizar a própria história de amor, enquanto o outro, apesar de também tratar de um romance, destaca o cotidiano da cidade de Berlim meses antes da queda do muro. O filme valoriza sensações simples da vida quando mostra a impossibilidade de Damiel, o anjo, de obtê-las, como esfregar uma mão na outra no frio, fumar um cigarro ou tomar um café. Esse cotidiano enfatizado por Wenders é ilustrado nas obras de Baudelaire, Spleen de Paris e Flores do Mal, o que exemplifica um dos diversos temas ressaltado pelos artistas modernos.
O cinema moderno

Apesar de tratar de um histórico específico, em paralelo às transformações e aos movimentos ocorridos na modernidade da arte, o cinema moderno acompanha diversas dessas revoluções. O período é demarcado pelo surgimento da nouvelle vague cinematográfica, depois do Festival de Cannes de 1959, até a “nova Hollywood” e o “cinema novo alemão”.
Essa forma de expressão artística, ao apresentar idéias progressistas, assume o caráter subjetivo proposto pela arte moderna. A oposição dos artistas aos modos de produção cinematográfica convencional é outra ideologia implantada pelas outras vanguardas modernistas. Tais ideais eram discutidos pelos críticos na revista Cahiers du Cinema, fundada por Bazin e Doniol-Valcroze em 1951.
A introdução das cores e a tela panorâmica são inovações tecnológicas que modificaram a estética do cinema na modernidade.
O artifício utilizado em “Asas do desejo” de exibição ora em preto e branco, para identificar a visão dos anjos, ora colorido, enunciando a visão dos homens, está relacionado ao rompimento das técnicas padronizadas pelo cinema comercial, aproveitando ao mesmo tempo as novidades tecnológicas iniciadas no cinema moderno – as cores e a vista panorâmica.
Especificamente, o filme se enquadra no fenômeno do “cinema novo alemão”, baseado na “política do autor” da nouvelle vague. A repercussão internacional e o questionamento também fazem de Wim Wenders um dos maiores cineastas do “cinema novo alemão”.

Asas do desejo

Na Berlim pós-guerra, dois anjos perambulam pela cidade. Invisíveis aos mortais, eles lêem seus pensamentos e tentam confortar a solidão e a depressão das almas que encontram. Entretanto, um dos anjos, ao se apaixonar por uma trapezista, deseja se tornar um humano para experimentar as alegrias de cada dia. (SINOPSE OFICIAL, 1987)

O olhar de um anjo: vista panorâmica, sem cores, imperceptível para o humano - com exceção da criança - ilustra o início do filme de Wim Wenders. A ausência de cor elucida a simples existência do anjo, sem emoções, enquanto as cores aparecem para caracterizar a visão humana.
Ao enfatizar as questões a respeito da identidade de Damiel, o anjo, e ainda suas escutas passivas de reflexões humanas, o cineasta explora a subjetividade. Os pensamentos dos homens lidos pelos anjos evidenciam a melancolia e solidão, enfrentadas pela Berlim pós-guerra.
Semblante sério e vestimentas pretas são características físicas dos anjos de Wenders. Vivem em bibliotecas e frequentemente aparecem nas partes altas da cidade.
A obra está inserida na Cultura das Mídias devido ao modo de produção e suas conseqüências. É propagado pelos meios de comunicação, mas não foi produzida pelo “grande centro”, Hollywood.

segunda-feira, 1 de dezembro de 2008

Um olhar.. transparente?

E quando já não tenho mais palavras em meio a tantas, um olhar me salva. Você pode ler e entender tudo. Você pode me desvendar. Eu posso ter dúvidas, incertezas, tentar me enganar. Mas a sinceridade está ali, em meio a loucuras e erros, devaneios e acertos, caos e descobertas. Tá tudo ali!
E então, quando tiver alguma dúvida.. olha pra mim, bem dentro dos meus olhos. Eles vão te responder. E aí, você vai ver o que ninguém mais pode enxergar. E então vai entender o que eles querem dizer.. só pra você! O meu olhar.

segunda-feira, 17 de novembro de 2008

E se um dia você entendesse que ser diferente não me faz mal?

- Eu tô feliz de verdade!
- Isso, pra mim, não é felicidade.
- Como você pode saber? Por menos complexo que fosse esse sentimento, você jamais saberia o que eu realmente sinto. Assim como eu nunca vou saber o que você sente na real. Eu não vou conseguir entender o que se passa aí dentro, seus sentimentos são ilegíveis. Assim como os meus. Mas eu posso tentar. Tentar, e chegar perto de conseguir compreender a sua reação. Poder dizer "eu te entendo" da forma mais sincera, que você sabe que com você, eu não sei me expressar de outro jeito.Um amor incomparável assim não me permite qualquer falsidade. E então, se eu posso me aproximar da compreensão de você, por que você também não tenta? Pelo menos isso, tentar, eu te peço. Não é muito, eu acho. Me entende! Faça valer suas palavras de que a minha felicidade é a sua também! E tenta perceber que a minha felicidade só não está completa porque eu preciso de você. Da sua força, do seu apoio, de você do meu lado. Tenta entender que eu mudei, sim, mas isso não significa que foi pra pior. Eu apenas mudei.. Me aceita do jeito que eu sou? Me ama do mesmo jeito que antes? E quando você perceber que, depois de tudo isso,eu continuo a mesma.. aí sim, você vai poder enxergar que...
- Eu tô feliz de verdade!
... e poder compartilhar comigo essa felicidade.

domingo, 3 de fevereiro de 2008

Hate that I love you - Rihanna

"you know exactly what to do
so that i can't stay mad at you for too long, that's wrong
but, i hate it.
you know exactly how to touch
so that i don't wanna fuss and fight no more
so I DESPISE THAT I ADORE YOU"

sábado, 2 de fevereiro de 2008

De outras vidas.. =]

A conversa sobre espíritos me fez refletir sobre muitos assuntos. Um deles, nossa amizade. O que antes me parecia algo natural, hoje creio que ela vem de outras vidas. Assim que nos conhecemos ela não sabia nada a meu respeito, só sabia que sentia enorme antipatia pelo que eu aparentava ser. Para mim ela era apenas mais uma aluna na aula de jazz. E daí que ela é sobrinha de Léo Áquilla? Pensava eu, quando alguém vinha me falar dela.
Essa antipatia aos poucos foi desaparecendo ao longo de nossa limitada convivência. Assim sendo, a vida nos colocou lado a lado numa viagem de oito horas, num ônibus onde todos (inclusive nós) queriam/ precisavam dormir.
Difícil explicar o que essa viagem nos proporcionou, senão falar a descoberta de uma incrível afinidade. Simplesmente, a conversa fluiu involuntariamente durante as oito horas. Involuntariamente porque a princípio tínhamos a intenção de dormir – e deixar os outros dormirem. O que, de fato, não ocorreu pois não conseguíamos parar de falar.
Fui percebendo o quanto ela era diferente de mim e ao mesmo tempo o quanto éramos iguais. Ela vivia num mundo que não era o meu, mas me interessava entender um pouco mais daquele universo. E eu, bom, não sei dizer o que ela notou em mim para desejar a amizade. Talvez não tenha uma razão. A sintonia é inexplicável. A partir daí não nos desgrudamos mais.
Brigas, semanas sem se falar, shows sem uma olhar na cara da outra.. Me fizeram sofrer, sim, mas são nessas horas que a gente percebe a inteligência do ditado “Deus escreve certo por linhas tortas” e entende o quão certo foi tudo isso. Entende o por que de tudo isso. Conciliação, aprendizados indescritíveis. Um dos quais – que eu considero o mais importante -, a valorização. Aprendemos muito uma com a outra e principalmente a nos darmos valor – tanto a si própria quanto pra outra.
Hoje não ficamos mais sem se falar, muito menos sem olhar nos olhos, e a cada briga – agora vejo que, todas construtivas – uma lição.
Por tudo isso, que a única coisa que posso pensar a respeito daquela menina que, de início, era apenas mais uma pra mim e tinha aversão a minha pessoa é que essa sintonia, incapaz de ser traduzida em palavras, vem de outras vidas.

terça-feira, 29 de janeiro de 2008

e a gente se diverte..

video

Resistir - Evora

É, enquanto o show não começa a gente faz o nosso próprio.

PS: Dá um ligue nos comentários super instrutivos do Rony. rs.

"Relembrar, sentir, esqueceeer!"

terça-feira, 22 de janeiro de 2008

Amor de mãe.

Dizem por aí que amiga de verdade só a nossa mãe. Aquela que estará sempre do nosso lado, nas horas boas e ruins, haja o que houver.. SEMPRE. Só amor de mãe mesmo pra suprir as necessidades de uma pessoa que não seja você mesmo, e fazer com que você fique bem, independente se ela está na melhor fase de sua vida ou mesmo no fundo do poço. Não importa, mãe é mãe e amizade define-se por ela. É o maior exemplo de solidariedade, compreensão, compaixão, perdão sincero, doação. Brigas inevitáveis excedidas pela sensibilidade são rotineiras. Normalmente, o que a mãe fala, entra por um ouvido e sai pelo outro. Nesse caso a teimosia lidera a ação para, enfim, quebrarmos a cara e, mais uma vez percebermos a realidade e experiência contidas nas palavras deixadas de lado. Mas não é por mal. No fundo sempre sabemos que é sábio o conselho materno. O contraste não se dá por falta de confiança, mas por inexperiência talvez, seguida de um instinto jovem de sempre acreditar num final feliz, a fim de justificar os meios. Acredite ou não, eu sempre pensei duas vezes antes de contrariá-la.
Quando o desentendimento é mais grave que o normal, o medo surge, a ponto de questionarmos o significado da ligação. Mas é contínua a descoberta de que esse vínculo é eterno, imutável. E quanto mais o tempo passa, mais sólida a relação mãe e filha.